Prevenção de quedas

A queda é a principal causa de morte acidental entre a população com mais de 65 anos, havendo um aumento colossal a partir dos 85 anos.

O envelhecimento é, sem dúvida, a maior conquista da Humanidade. Porém, poderemos considerar que é igualmente um dos grandes desafios do séc. XXI, tendo em conta as baixas taxas de natalidade nas sociedades mais desenvolvidas, e o aumento da esperança média de vida, surgindo consequências quer a nível social, da saúde e da própria economia. Vários investigadores preconizam que em Portugal poderá ocorrer a falência da Segurança Social dentro de algumas décadas, o que acarretaria efeitos desastrosos para a nossa sociedade.

Um dos temas mais sensíveis para a população idosa são as quedas. Para além dos prejuízos associados, estas retiram qualidade e anos de vida. A sua prevenção é considerada um enorme repto, uma vez que o impacto quer económico quer social repercute-se na família e na própria comunidade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) poderemos definir queda como o acontecimento que leva uma pessoa inadvertidamente ao solo ou a um nível inferior (OMS,2004).

Existem factores de risco que propiciam as quedas entre a população sénior, a OMS agrupa-os em quatro categorias: factores biológicos decorrentes do próprio envelhecimento (como as alterações físicas, cognitivas, sensoriais), o sexo feminino, episódios de quedas anteriores (aumenta exponencialmente a possibilidade de recorrência) e as comorbilidades associadas a doenças crónicas. Factores comportamentais relacionados directamente com as escolhas diárias como o abuso de álcool, a má alimentação, o sedentarismo. Factores ambientais como os perigos existentes nos próprios domicílios (ex. tapetes), o meio envolvente, aos existentes no exterior como pisos irregulares, mau estado das calçadas, etc.. Factores socioeconómicos como o rendimento económico deficitário, a baixa escolaridade, acesso reduzido aos cuidados básicos de saúde.

As consequências de uma queda afecta substancialmente a qualidade de vida do idoso, e indirectamente a dos seus familiares e/ou cuidadores, precipitando a transição da condição autónoma deste para uma condição de total dependência. Por vezes, apesar das lesões físicas decorrentes da queda não sejam consideradas graves, levam a estados psicológicos e emocionais de enorme fragilidade, provocando a perda de confiança e de autonomia, à depressão e letargia. Ora, as consequências directas repercutem-se na diminuição considerável da capacidade funcional, limitação na actividade social do idoso e institucionalização precoce do mesmo. A autonomia e independência funcional são algo que valorizamos em qualquer momento da nossa vida. As lesões decorrentes de uma queda podem provocar sérias limitações, quer físicas quer psicológicas, e os custos inerentes com os tratamentos são elevados, uma vez que poderão ser de longa duração.

O número crescente de Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), bem como as Unidades de Cuidados Continuados (UCC) vem confirmar a sua importância como as alternativas viáveis quando já não é possível manter o idoso no seu domicílio.

Vários estudos referem que os idosos que se encontram institucionalizados apresentam maior incidência de quedas, contrariamente aos que se encontram a viver nos seus domicílios.

As ERPI´s e as UCC´s devem oferecer condições de segurança e proporcionar um ambiente acolhedor e familiar aos idosos funcionalmente dependentes.

Estudos indicam-nos que um em cada três idosos sofre uma queda, mas a sua prevenção é possível.

Actualmente, o mercado oferece algumas opções, como os dispositivos electrónicos de alarme que permitem saber a localização do idoso caído no chão e alertar o prestador de cuidados mais próximo. No entanto, não têm a função de evitar a queda.

A prevenção electrónica da queda poderá ser feita a um nível básico utilizando sensores nos colchões, em tapetes e/ou em cadeiras, que informam a equipa de prestadores de cuidados do possível risco de queda. Presentemente, já encontramos sistemas fiáveis, eficazes, de fácil instalação e economicamente mais vantajosos como o uso de sensores de movimento no interior dos quartos, permitindo informar o prestador de cuidados sempre que o utente se levanta da cama. Contudo, é igualmente importante as acções de sensibilização junto da população sénior para os perigos das quedas, incentivando-os a serem proactivos, corrigindo hábitos de modo a evitá-las.

Nota: o texto não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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