O presente e o futuro das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) exigem uma reestruturação a vários níveis. A pandemia expôs a nossa fragilidade enquanto seres humanos. Expôs igualmente as clivagens sociais existentes. Expôs realidades escondidas ou muito bem guardadas. As perspectivas alteraram-se drasticamente. A pandemia demonstrou que não estávamos preparados para enfrentar esta “guerra”. Uma “guerra de trincheiras” contra um inimigo “sem rosto”. As ERPI´s encontraram-se na “mira de fogo” da sociedade. Esta exigiu explicações para a falta de meios humanos e materiais por parte de algumas instituições que cuidam dos nossos idosos. O que a sociedade não perguntou foi o porquê? A verdade é que muitas famílias não possuem condições socioeconómicas para colocarem os seus familiares em instituições certificadas que forneçam a assistência, alimentação, higiene, cuidados médicos e sociais exigidos. Estas famílias recorrem a instituições ilegais porque não encontram outra resposta.

No meio do pânico gerado em algumas situações concretas, a sociedade apontou o dedo. Apontou o dedo às instituições, apontou o dedo às direcções técnicas. Mas esqueceu-se de aplaudir todos aqueles que deixaram as suas casas, as suas famílias, para dedicarem-se aos mais vulneráveis que estavam aos seus cuidados. Esqueceu-se de aplaudir todos aqueles que lutaram diariamente nas “trincheiras”, dando o seu melhor com toda a força e coragem para mantê-los em segurança. A pandemia demonstrou, igualmente, a nossa capacidade de nos superarmos em prol do bem comum.

O Covid-19 passou a fazer parte da nossa realidade. Isto implica uma reavaliação profunda por parte das ERPI´s. O caminho a seguir será a sua reestruturação. Apostar na tecnologia capaz de lhes dar respostas rápidas, eficientes e eficazes. Uma tecnologia avançada fiável. Que facilite o desenvolvimento das funções dos prestadores de cuidados, e protegendo o melhor interesse dos utentes. Posicionando-se na linha da frente em termos tecnológicos, implementando estratégias que permitam melhorar os serviços prestados.

Presentemente, a maioria das ERPI´s querem modernizar-se. Têm consciência dessa necessidade premente, mas por vezes os constrangimentos financeiros não permitem avançar com a rapidez desejada. No entanto, a urgência de rever os modelos actuais torna-se imperativo.

Levantam-se duas questões: estaremos preparados para lidar com o Covid19 no nosso quotidiano? Estaremos conscientes que a reestruturação não poderá ser adiada?

O vírus chegou e ficou, por quanto tempo ainda não sabemos. A verdade é que o vírus pode não desaparecer e tornar-se endémico, tal como a gripe. Assim, acreditam alguns investigadores e cientistas. Por outro lado, em todo o mundo unem-se esforços no desenvolvimento de uma vacina. Entretanto temos de continuar a viver. Temos de continuar a proteger os mais vulneráveis da nossa sociedade. Sem apontar o dedo, mas encontrando respostas. As respostas necessárias que permitam melhorar os cuidados prestados. Porque juntos somos mais fortes.

E porque nunca é demais relembrar: o vírus não desapareceu. O perigo de contágio não desapareceu. O vírus continua com a mesma letalidade, sem reconhecer raça, religião, género, idade ou estatuto social. Ele ceifa vidas indiscriminadamente. O Covid19 pode tocar-nos sem nos apercebermos. Apenas os cuidados recomendados nos podem proteger. Temos de manter a postura vigilante e continuar com as medidas de protecção. O vírus não nos permite distracções.

O presente e o futuro das ERPI´s exigem uma reestruturação no imediato. A pandemia obrigou-nos a reflectir profundamente, chegou a hora de agir. O futuro é hoje. O futuro é agora.

Nota: este texto não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico

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