Os novos desafios das Residências Seniores trazem muitas exigências. Quais as exigências? São diversas, o importante é questionarmos se estão preparadas para cumprir as mesmas.

A pandemia confrontou-nos com a nossa fragilidade enquanto seres humanos. Teve o condão de deixar a nu um “sistema” deveras frágil e com muitas falhas. O drama vivido em muitas residências seniores demonstrou que não estávamos preparados para enfrentar algo com a dimensão desta pandemia. Mas a pergunta que se impõe é: estarão preparadas para enfrentar a 2.ª vaga que vem sendo anunciada?

Ultimamente ouvimos falar em verdadeiros “cenários de terror” em lares de idosos. Ouvimos, igualmente, acusações que “os lares de hoje são depósitos e terra de ninguém”. Que se cometem “verdadeiros crimes contra pessoas em muitos deles”. Perante estas acusações gravíssimas, onde estão as autoridades competentes para verificar a sua veracidade? O que fazem para impedir esses “crimes”? As entidades competentes estarão a regular e a fiscalizar eficazmente? O que realmente acontece às pessoas que maltratam os nossos idosos? Estas e outras questões que continuam sem resposta. Porquê? Porque a notícia de hoje, é lixo amanhã.

Falámos de acções contra pessoas que muitas vezes se encontram em situações de dependência, de fragilidade. O Estado não pode demitir-se da função de protecção dos seus cidadãos. A sociedade civil não pode continuar a fingir que está tudo bem. Porque nem todos estamos bem.

São feitas exigências ao poder político. Exige-se uma categorização profissional para os auxiliares, de forma a capacitá-los com competências para as funções que desempenham e permitir-lhes auferir salários mais justos. Porque na verdade “não é a mesma coisa virar frangos e virar velhos”. É exigida uma directiva geral que comprometa todos os lares de idosos com procedimentos preventivos concretos. Exigem-se apoios e medidas consistentes para evitar os dramas vividos no início da pandemia.

Os responsáveis das residências seniores deverão responder ao desafio. Este será talvez o repto mais difícil das suas carreiras. A reestruturação em tempos de Covid-19. Ousar em fazer diferente, em pensar “fora da caixa”. Apostar na formação dos seus colaboradores. Fornecendo-lhes as ferramentas necessárias para que possam cumprir de forma eficaz as suas tarefas. Equipar as suas estruturas com tecnologia capaz de lhes dar respostas rápidas. Equipamentos que facilitem o desenvolvimento das funções dos prestadores de cuidados e protejam o melhor interesse dos utentes. A necessidade de modernizar estas estruturas é premente. Torná-las funcionais, eficientes e aprazíveis para os seus residentes. Salvaguardando o bem-estar dos idosos, e apostando numa gestão de qualidade dos serviços prestados, nomeadamente quanto ao tempo de atendimento aos eventos de alerta.

Temos obrigatoriamente de ter aprendido com os erros do passado recente. A 2.ª vaga anunciada vai acontecer. É uma questão de tempo.

Assim,se a tragédia se repetir, não poderemos demitirmo-nos da culpa. Nós, enquanto sociedade civil temos o dever de exigir que sejam tomadas medidas. Os velhos de amanhã seremos nós. Temos de agir agora. A hora é agora.

“O idoso não é um estranho. O idoso somos nós: cedo ou tarde, mas, inevitavelmente, mesmo que não pensemos nisso. E se nós não aprendermos a tratar bem os idosos, do mesmo modo seremos tratados.” (Papa Francisco)

Nota: este texto não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico

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